Em janeiro de 2007, o Instituto da Face Campinas, completou 18 anos de
existência e mais de quatrocentos alunos, cirurgiões-dentistas passaram por
aqui.
Nesse tempo todo, demos ênfase para os casos mais complicados e retratamentos, considerando que
nos últimos anos o Brasil foi inundado por bárbaros da
ortodontia, que nem de typodontistas podem ser chamados, que estão a fazer as
maiores barbaridades, as maiores iatrogenias, e se dizem ortodontistas para um
povo crédulo, que por conveniência acaba acreditando neles, e quem paga é a
Ortodontia. E essa conveniência tem nome: honorários aviltados. Mas nisso a
culpa não é só dos profissionais. Culpado o povo brasileiro, que procura sempre
o mais barato, isso por falta de cultura, tradição, ignorância mesmo. E nisso o
povo brasileiro está se tornando especialista, cada vez mais ignorante, sem
cultura, sem tradição, sem estudo. Creio que dentro em pouco não haverá mais
povo brasileiro e sim horda, turba brasileira, mas bem domesticada.
Voltando aos typodontistas, estão transformando o brasileiro em um povo
biprotruso, "bicudo" e oclusão torna-se um "palavrão" (o paciente vira uma obra
de arte, um "Bicasso"), com a Ortodontia Fixa, e verdadeiros "sapões" (ou boca
de caçapa) com a expansão desmedida feita com a Ortopedia Funcional dos
Maxilares. Mas como o Brasil só anda de marcha à ré, podemos ter futuramente a
turba dos Bicos Longos, ou Bicassos, os Boca Larga (ou Boca de Caçapa), outros
como os Beiçolas.
Sempre usamos as mais modernas técnicas e materiais ortodônticos, as
mesmas usadas nos grandes centros dos EUA e Europa. Não vamos voltar quatro
décadas atrás, e usar aço inox, por exemplo. Ainda existem brasileiros que
merecem e sabem valorizar tratamentos corretos e atuais.Vamos continuar
defendendo as mecânicas ortodônticas realmente com forças leves, como a Light Wire
de Andrews e a Bioprogressiva de Ricketts. A tendência atual é para forças cada
vez mais leves. E isso está intimamente ligado aos materiais usados. O primeiro
foi o Nitinol, e depois deles outros mais leves ainda, como o beta-titânio, e
por último as ligas termo-ativadas (ligas de martensita). E no Brasil, continuam
a impor confusões. Mecânicas que usam o aço inox, em qualquer que seja a fase do
tratamento, jamais poderiam ser chamadas de Light Wire (arco-leve, forças
leves), inclusive porque, esse termo, Light-Wire, é patente do Dr. Lawrence
Andrews. Mas parece que quanto mais confusão, melhor !!!
Campinas, setembro de 2007
Dr. Luiz Augusto Telles de Souza
A evolução dos materiais em Ortodontia

Produtos feitos com ligas metálicas que a Ortodontia adotou. (A) Ford Sedan
feito com aço inoxidável; (B) Mola principal de relógio, fabricada com liga de
cromo-cobalto; (C) Junta com memória de forma hidráulica, fabricada com composto
inter-metálico de niquel-titânio; e (D) Blackbird SR-71 construído com liga de
titânio-molibidênio.
The Angle Orthodontist: Vol. 72, No. 6, pp. 501–512,
2002.
Biomateriais em Ortodontia: do passado ao presente
Robert P. Kusy, PhD
Kusy, Robert P. 2002:
Orthodontic Biomaterials: From the Past
to the Present. The Angle Orthodontist: Vol. 72, No. 6, pp. 501–512.
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